
O RIO
O rio que nasce em meu quarto
inunda a casa e traz corredeiras
que levam para longe
coisas largadas desordenadas,
palavras impensadas,
amarguras, entulhos.
O rio que nasce em meus sonhos
arromba portas que impedem o acesso,
revelam segredos, histórias, enredos,
sentimentos engavetados,
decepções, constrangimentos,
dor de não poder.
O rio que nasce em minha cama
alimenta meus dias e lava as lágrimas,
derramadas faz tempo,
mas deixa aquelas choradas pra dentro,
inquietudes que eu tento
mostrar pra você?
O rio que nasce em meus versos
segue muitos caminhos e espalha sementes,
algumas ardidas com gosto de vida,
ha sempre aquelas que curam feridas,
outras demoram a dar flores e frutos...
Quem sabe um dia alguém possa colher?
NALDOVELHO