
O vestido
A brisa balança o vestido azul no varal.
A moça olha e o rosto molha.
O vento seca o tecido florido
E os olhos azuis da moça.
A moça lembra o toque do ontem,
Mãos quentes em cada flor do vestido.
O toque da lembrança traz o som
Das palavras frias, indiferentes
Ao amor que o vestido vestia.
E indiferente às lágrimas da moça
O vento venta mais forte
Soltando o vestido florido do varal.
As flores azuis do tecido voam, voam
Misturando-se ao azul imenso do céu.
O vento leva o vestido, as flores
E os sonhos azuis da moça.
A moça olha o varal vazio
E, vazia,
Chora o amor e os sonhos
Que o vento,
Num repente,
Lhe roubou.
Isabella Benicio